sexta-feira, 23 de junho de 2017


 Não Pode Tirar-me as Esperanças
Busque Amor novas artes, novo engenho 
Para matar-me, e novas esquivanças; 
Que não pode tirar-me as esperanças, 
Que mal me tirará o que eu não tenho. 

Olhai de que esperanças me mantenho! 
Vede que perigosas seguranças! 
Pois não temo contrastes nem mudanças, 
Andando em bravo mar, perdido o lenho. 

Mas conquanto não pode haver desgosto 
Onde esperança falta, lá me esconde 
Amor um mal, que mata e não se vê. 

Que dias há que na alma me tem posto 
Um não sei quê, que nasce não sei onde; 
Vem não sei como; e dói não sei porquê. 

Luís Vaz de Camões, in "Sonetos"

Força, fé, saúde, coragem e Deus.
Obrigada pela sua gentil visita e comentário.
 
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